O segredo sempre fez parte da história da humanidade, mesmo se que exista a escrita envolvida é possível mantermos segredos, e a troca de informações em segredos é um grande desafio. As guerras sempre foram um dos maiores motivos pelo qual o homem se dedicou a busca e inovação de métodos de ocultação e proteção de informações.
Heródoto “o pai da história” descreve os primeiros relatos de ocultação de informação durante os conflitos entre a Grécia e a Pérsia que aconteceram no quinto século antes de Cristo. Neste relato a Grécia foi salva e não foi conquistada por Xerxes, Rei dos Reis, líder dos Persas. Xerxes que passou anos montando a maior força militar pretendia lançar um ataque surpresa a Esparta. Porém seu plano havia sido testemunhado por um exilado grego chamado Demarato que ainda assim mantinha lealdade e decidiu alertar os espartanos sobre o eminente ataque.
De posse da informação Demarato decidiu avisar os espartanos e assim se deparou com um grande desafio, o desafio de enviar a mensagem sem que ela fosse interceptada e lida pelos guardas.
Demarato havia raspado a cera de um par de tabuletas de madeira, e escreveu a mensagem com as informações secretas sobre o ataque que Xerxes pretendia fazer. Depois cobriu novamente a mensagem com cera de modo que parecessem madeiras enceradas em branco e assim essas tabuletas puderam viajar e alcançar o seu destino sem que gerassem desconfiança. Não se sabe ao certo como, porém, é relatado que a esposa de Lêonidas chamada Corgo adivinhou e contou sobre a cera nas tabuletas e assim a mensagem foi revelada acabando com o elemento surpresa de Xerxes e alterando o rumo da batalha e da história. (Singh, 2005)
A ocultação da mensagem é a esteganografia e várias formas de ocultação de informações foram utilizadas ao longo da história da humanidade.
Descrito por Singh, (2005) outra história também narrada por Heródoto sobre Histaeu que para transmitir mensagens secretas usou o recurso de raspar a cabeça do mensageiro e escrever a mensagem no couro cabeludo de forma que o mensageiro não pudesse ler e esperar que o cabelo crescesse para então enviar o mensageiro que sem ter nenhum objeto consigo ao chegar no destino, raspou a cabeça e apresentou a mensagem ao destinatário. A proteção se deu nesse exemplo também ao não permitir que o mensageiro pudesse saber a mensagem e acabar de certa forma vazando mesmo sem querer ou sobre uma pressão medieval.
Na China mensagens eram escritas em seda muito fina e amassadas até formarem uma bolinha que era coberta com cera. O mensageiro engolia a bolinha e levava ao destinatário. Essas formas de esteganografia não são muito rápidas e nem muito higiênicas. (Singh, 2005)
No século XVI o cientista italiano Giovanni Porta apresentou como esconder mensagens em ovos cozidos usando uma mistura de alúmen de potássio e vinagre e escrevendo diretamente na casca do ovo cozido. Tal química é absorvida pela casa do ovo devido a porosidade e desaparece da casca e fixando na clara de ovo cozida e apenas descascando o ovo é possível ler a mensagem. Um ovo com mensagem em várias dúzias dificultaria ainda mais a detecção da mensagem.
Escrita invisível foi muita usada por séculos e usando diferentes produtos que vão desde plantas até mesmo a própria urina, pois depois de secar a escrita ficava transparente, mais ao aquecer até um determinado ponto queimava a tinta pois eram usados produtos ricos em carbono revelando a mensagem.
Durante a segunda guerra mundial os agentes alemães que operavam na américa lática usaram o micro ponto. Um método de esteganografia que consistia em e diminuir uma página de texto fotografada até um pequeno ponto de menos de um milímetro de diâmetro.

Uma vez que os textos secretos haviam sido diminuídos eles poderiam ser inseridos em qualquer correspondência. Apenas os envolvidos saberiam sobre o micro ponto e poderiam com a ajuda de um microscópio recuperar as mensagens.
De acordo com Sipser (2007), todos os métodos são de certa forma seguros até que se tornem comum e que todos os que já usaram podem pensar igual e não mais deixar de perceber que pode haver informações sendo transmitidas usando os métodos já conhecidos. Dessa maneira, além de ocultar se faz necessário também proteger as informações e para isso é necessário alterar a mensagem e então usar a criptografia.
Diferente da esteganografia a criptografia pode expor a mensagem secreta pois em tese ela será um conjunto de letras embaralhadas e apenas aqueles que conhecem o método que foi empregado para embaralhar poderá reordenar as letras de forma a tornar a mensagem um texto puro.
Porém não é possível embaralhar as letras de uma mensagem secreta totalmente ao acaso, pois não haverá como recriar a mensagem sem que exista um padrão.
É necessário que exista um padrão para embaralhar de forma que possa ser reorganizado seguindo esse padrão.
Um texto sem nenhum código de criptografia aplicado é dito como texto puro e por convenção usamos letras minúsculas, enquanto que o texto criptografado é escrito em maiúscula para diferenciar.
Historicamente a criptografia possui muitos registros, notavelmente temos vários registros de uso da criptografia antes do nascimento de cristo, registros que apontam Julio Cesar usando métodos de criptografia em algumas ocasiões. A primeira delas foi durante as Guerras de Gália, onde em seus registros Julio Cesar descreve que enviou uma mensagem para Cicero que estava prestes a se render. A mensagem foi enviada escrita em uma tira de couro, enrolada em uma lança que foi jogada próximo do exército de Cicero. Nesta mensagem Cesar havia substituído as letras do alfabeto romano por letras gregas.
Cesar usava a escrita secreta com tanta frequência, que Valerius Probus escreveu todo um tratado sobre cifras, o qual, infelizmente, não sobreviveu até a nossa época. (Singh, 2005).
