Threat Intelligence Report Brasil 1º Semestre 2026

O Brasil não é mais um alvo secundário. É um alvo consolidado, estratégico e contínuo.

Ao longo do primeiro semestre de 2026, a Hackers Hive CTI Unit coletou e analisou dados reais de incidentes de ransomware contra organizações brasileiras diretamente via API do ransomware.live. O resultado é um retrato fiel — e preocupante — do cenário atual de ameaças no país.

O relatório HH-CTI-2026-BR-S1 é o produto desse trabalho. Neste post, compartilho os pontos que mais me chamaram a atenção. Mas não vou entregar tudo aqui — o relatório completo vale a leitura.


O que você vai encontrar no relatório

  • 92 incidentes confirmados em apenas 6 meses, com dados reais coletados via API
  • 28 grupos de ameaça distintos ativos contra alvos brasileiros
  • Análise mês a mês com organização, grupo responsável e setor afetado
  • Perfil detalhado dos 8 principais grupos — como operam, quais setores preferem e qual o nível de impacto
  • 5 visualizações gráficas: volume mensal, ranking de grupos, setores afetados, mapa de calor e evolução por setor
  • 8 recomendações de segurança priorizadas por criticidade

Alguns dados que não dá pra ignorar

Janeiro foi o mês de maior volume do semestre: 19 ataques em 31 dias. Diferente do que se poderia esperar de um início de ano, os grupos não tiraram férias — pelo contrário, abriram 2026 em ritmo acelerado.

Lockbit5 é o grupo mais ativo com 19 ataques confirmados. Em março, o grupo atacou o Sistema S de uma só vez: SESI, SENAI e FIEPE no mesmo período. Uma operação coordenada que expôs a fragilidade de instituições que atendem milhões de brasileiros.

O Coinbasecartel reivindica 3TB de dados da JBS Brasil — em três postagens distintas ao longo do semestre. Além da JBS, o grupo comprometeu os Correios e a CIGAM Software, um fornecedor de ERP usado por centenas de empresas no país. Quando um fornecedor de software é comprometido, os clientes viram alvos em potencial.

O APT73 atacou diretamente o siapenet.gov.br — o sistema responsável pelo pagamento de 1,3 milhão de servidores federais — e em junho foi além: comprometeu o próprio gov.br, o domínio raiz do governo federal brasileiro. Isso não é ransomware oportunista. É targeting deliberado de infraestrutura crítica do Estado.


Novos grupos, velhos problemas

Uma das tendências mais relevantes deste semestre é a estreia de novos atores no Brasil: Exitium, Blackwater e 0day Syndicate aparecem pela primeira vez com vítimas brasileiras confirmadas.

Grupos novos costumam operar em volumes baixos enquanto mapeiam o ambiente. Quando escalam, já conhecem o terreno. Estamos monitorando esses três de perto.


Conclusão e perspectivas: o que vem aí

Essa é a parte que mais me preocupa — e que detalho com mais profundidade no relatório.

O 1º semestre de 2026 não é uma anomalia. É a consolidação de uma tendência que vimos se formar ao longo de 2025. A distribuição regular de ataques mês a mês — sem quedas expressivas — indica que os grupos operam com profissionalismo, estrutura e inteligência sobre os alvos.

Para o 2º semestre de 2026, nossa projeção é de intensificação:

Lockbit5 vai escalar. Já é o grupo dominante no Brasil e o modelo RaaS com afiliados ativos garante volume constante. A tendência é de crescimento, não de recuo.

TheGentlemen continuará mirando saúde e educação. Com 13 ataques no semestre e presença ininterrupta mês a mês, o grupo demonstrou preferência clara por esses setores. Hospitais e universidades precisam elevar urgentemente sua postura de segurança.

O Coinbasecartel vai buscar alvos maiores. O padrão de publicações múltiplas sobre a mesma vítima — como fez com a JBS — é uma estratégia de pressão que tende a se repetir contra outras empresas de grande porte e visibilidade pública.

O ataque ao gov.br pelo APT73 em junho é um sinal de alerta. Grupos com motivação mista — financeira e política — tendem a escalar operações em períodos de tensão. O segundo semestre será um teste para a resiliência da infraestrutura digital do Estado brasileiro.


Baixe o relatório completo

O HH-CTI-2026-BR-S1 é gratuito e de acesso livre para a comunidade.

🔗 Baixar o Relatório CTI — Brasil 1º Semestre 2026

Se você trabalha com segurança, gestão de TI ou simplesmente quer entender o que está acontecendo no cenário de ameaças brasileiro, esse documento foi feito para você.

A Hackers Hive CTI Unit publica relatórios regulares com dados reais. Se quiser ser notificado nas próximas edições, acompanhe o canal e a comunidade.

Anúncio

Sobre Daniel Donda 606 Artigos
Olá, meu nome é Daniel Donda e sou especialista em cibersegurança, autor de livros, professor e palestrante. Saiba mais

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*